REPÚBLICA DE ANGOLA

MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

GOVERNO DE ANGOLA

 

Declaração do Governo de Angola sobre a Crise na Côte D’Ivoire

 

O Executivo Angolano continua a acompanhar com grande preocupação o desenvolvimento da crise pós eleitoral na Côte D’Ivoire que corre o risco de desembocar num conflito de consequências imprevisíveis, susceptíveis de pôr em causa a paz e estabilidade na África Ocidental, uma região de si já frágil com processos de estabilização em curso em vários países onde os processos democráticos são recentes, depois de longas guerras que marcaram tragicamente a sub-região, nomeadamente: na Libéria, Serra Leoa, Guiné Conackry, Guiné-Bissau e Níger.

 

Essa preocupação torna-se maior quando se avizinham novos processos eleitorais que podem vir a ser afectados pela situação na Côte D’ivoire e assim criarem-se novas tragédias no continente.

 

O Executivo Angolano constata com muita apreensão o facto de todas as medidas tomadas até aqui pela Comunidade Internacional estarem a empurrar a Côte D’Ivoire irremediavelmente para guerra.

 

A celeridade com que este processo degenerativo está a decorrer é apenas um indício das grave anomalias e dos factores que antes, durante e depois das eleições contribuíram e continuam a afectar negativamente a situação crítica prevalecente na Côte D’Ivoire.

 

Com efeito, é estranho que no prazo de cinco dias tenham sido tomadas internacionalmente as medidas radicais e extremas que conhecemos, sem que em primeiro lugar todas as reclamações do próprio pleito eleitoral tenham sido atendidas e devidamente aferidas, de modo a não apenas se apurar o vencedor de forma inequívoca, mas também dissuadir qualquer contestação e, em segundo lugar, sem que tenham sido minimamente utilizados as vias de resolução pacífica do diferendo, através do diálogo e negociação, conforme as normas universalmente aceites nestes casos.

 

Têm chegado ao Executivo Angolano contactos de diversas entidades e países no sentido do seu envolvimento numa eventual mediação com vista a busca de solução para a crise.

O Executivo Angolano é a favor de uma solução pacífica e negociada do conflito Ivoiriense. Por conseguinte, denuncia com veemência a campanha difamatória que, por outro lado, foi posta a circular, segundo a qual teriam sido pretensamente localizados mercenários ou soldados Angolanos na Côte D’Ivoire e considera que estas falsas notícias se inscrevem na habitual estratégia de interferência externa nos assuntos do continente, visando denegrir os seus líderes e instituições e manipular uma vez mais a opinião pública para justificar a inevitabilidade da guerra.

É lamentável que neste momento potências externas ao continente estejam a instar outros países Africanos da sub-região a precipitarem a guerra como forma de solução de um problema que, no entender do Executivo Angolano, pôde e deve ser resolvido pacificamente.

É entendimento do Executivo Angolano que a crise na Côte D’Ivoire se trata de um assunto Africano pelo que cabe aos Africanos tomarem a liderança no seu tratamento. Assim, a União Africana deve assumir a responsabilidade desta liderança para evitar que o presente conflito resvale irreversivelmente para uma catástrofe humana, utilizando todos os instrumentos a sua disposição.

 

Governo da República de Angola, em Luanda, aos 24 de Dezembro de 2010.

 

 

REPUBLIQUE D’ANGOLA

MINISTERE DES RELATIONS EXTERIEURES

GOUVERNEMENT D’ANGOLA

 

Déclaration du Gouvernement d’Angola sur la Crise en Côte d’Ivoire


L’Exécutif Angolais continue à suivre avec grande préoccupation le développement de la crise postélectorale en Côte d’Ivoire qui risque de finir dans un conflit aux conséquences imprévisibles, susceptibles de mettre en cause la paix et la stabilité de l’Afrique Occidentale, une région fragile où des processus de stabilisation sont en cours dans plusieurs pays ayant des processus démocratiques récents, suite aux longues guerres qui ont marqué tragiquement la sous-région, notamment : le Libéria, la Sierra Léone, la Guinée Conakry, la Guinée-Bissau et le Niger.

 

Cette préoccupation devient encore plus grande à l’approche de nouveaux processus électoraux qui peuvent être affectés par la situation en Côte d’Ivoire engendrant ainsi de nouvelles tragédies sur le continent.

 

L’Exécutif Angolais constate avec beaucoup d’appréhension le fait que toutes les mesures prises jusque là par la Communauté internationale sont en train de pousser la Côte d’Ivoire irrémédiablement vers la guerre.

 

La célérité avec laquelle ce processus dégénératif se développe n’est que l’indice des graves anomalies et des facteurs qui avant, pendant et après les élections ont contribué et continuent d’affecter négativement la situation critique qui prévaut en Côte d’Ivoire.

 

En effet, il est étrange que dans un délai de cinq jours, les mesures radicales et extrêmes que nous connaissons tous aient été prises au niveau international, sans que, premièrement, toutes les plaintes du processus électoral soient reçues et dûment vérifiées, de façon à non seulement désigner le vainqueur de forme non équivoque, mais aussi de dissuader toute contestation ; deuxièmement, sans qu’au moins soient utilisées les voies de résolution pacifique du différend, par le dialogue et la négociation, conformément aux normes universellement acceptées en pareil cas.

 

L’Exécutif angolais a reçu des contacts de plusieurs entités et pays dans le sens de son implication dans une éventuelle médiation afin de trouver une solution à la crise.

 

L’Exécutif angolais est favorable à une solution du conflit ivoirien par la voie pacifique et négociée. Par conséquent, il dénonce avec véhémence la campagne diffamatoire qui a été orchestrée selon laquelle on aurait prétendument identifié des mercenaires ou soldats angolais en Côte d’Ivoire ; il considère que ces fausses nouvelles s’inscrivent dans l’habituelle stratégie d’ingérence extérieure dans les affaires du continent, visant à dénigrer ses leaders et ses institutions et une fois de plus manipuler l’opinion publique pour justifier l’inévitabilité de la guerre.

 

Il est regrettable qu’à ce moment des puissances extérieures au continent demandent à d’autres pays africains de la sous-région de précipiter la guerre comme une forme de solution à un problème qui, de l’avis de l’Exécutif angolais, peut et doit être résolu pacifiquement.

 

L’Exécutif angolais croit que la crise en Côte d’Ivoire est une affaire Africaine et que, de ce fait, il incombe aux Africains de prendre le leadership des actions concernant sa résolution. Ainsi, l’Union africaine doit assumer la responsabilité de ce leadership afin d’éviter que l’actuel conflit devienne irréversiblement une catastrophe humaine, en utilisant tous les instruments qui sont à sa disposition.

 

Gouvernement de la République d’Angola, Luanda, le 24 décembre 2010.

 

 

 

 

 

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